Text Box: A Rede Ciclável Hierarquizada

A Rede Ciclável Hierarquizada corresponde a um processo de interpretação e avaliação da Rede Ciclável Potencial. Foi elaborada uma hierarquização, sendo passíveis no futuro aferições ao proposto.

Esta primeira hierarquização da Rede Ciclável teve como principais critérios: 

- a capacidade dos percursos cicláveis para fazer a ligação a outros concelhos da AML; 
- a continuidade dos percursos cicláveis e a capacidade destes em estabelecer ligações a grande escala, entre vários aglomerados e em vastas áreas do concelho;
- o tipo de ligações que possibilitam, como a interfaces de transporte ou a equipamentos colectivos; 
- o carácter cultural do percurso, por ligar variados pontos de interesse arquitectónico, arqueológico e de interesse cultural;


Esquema-Tipo para a síntese de uma Rede Ciclável (CEAP, 2007)

A Hierarquia proposta é a seguinte:

Percursos de 1ª ordem: constituída por grandes Eixos Cicláveis; permitindo estabelecer percursos contínuos de grande extensão e em vários casos estabelecer ligação com os outros Concelhos limítrofes;

Percursos de 2ª ordem: constituída por percursos complementares com os de 1ª ordem;  permitem estabelecer ligações importantes a uma escala mais local, entre diferentes pontos e equipamentos;

Percursos de 3ª ordem: com carácter de distribuição local; possui continuidades menores e necessita de estar em articulação com as outras classes para poder servir percursos mais abrangentes;

Percursos de restabelecimento: constituídos por pequenos troços com declive superior a 5%, mas cuja existência permite a criação de continuidade a um eixo.

A Rede Ciclável Hierarquizada Municipal de Lisboa (Planta 02) apresenta um total de 283,794km de percursos cicláveis, sendo que este valor não se indica qualquer tipo de tipologia especifica, dado que a definição tipológica associada a cada hierarquia deve conduzir à síntese de diferentes situações (ver Planta 04).


Sobre as Tipologias de percursos previstos:
Tipologia em coexistência bicicletas – automóveis, associada a ruas de tráfego local, onde a aplicação de medidas de gestão de tráfego pelo design urbano deverão permitir a circulação conjunta, em máxima segurança, de bicicletas e peões. Estas medidas passam pela manutenção / criação de uma rua com um carácter local, onde o automobilista apreenda instintivamente uma condução a muito baixas velocidades (inferior a 30km/h). Esta tipologia passa pela redução ao mínimo da área de circulação automóvel, podendo a mesma ser assumidamente mista com o tráfego pedonal, sem remates ou limites que conduzam a segregações indesejáveis, a existência de pavimentos adequados à moderação de velocidade, a sobreelevação dos cruzamentos para benefício dos peões, o enriquecimento do espaço público com mobiliário, o aumento de vegetação, a diminuição do espaço visual aberto para o automobilista, entre outras.

Tipologia em coexistência bicicletas – peões, em situações onde se entenda, por um lado, ser preferível a não coexistência com o tráfego automóvel, e por outro, onde seja adequado, pelo número de utilizadores em causa, uma convivência entre peões e ciclistas (caso de percursos em zonas verdes). Esta convivência não significa, porém, que não se crie espaço próprio (em pista) para as bicicletas, considerando a segurança pedonal. No caso de tráfego automóvel acima de 30km/h, aplica-se a separação entre ciclistas e automóveis, considerando-a como inevitável na generalidade das situações.

Tipologia de separação entre bicicletas e os outros utilizadores (peões e automóveis), tratando-se de situações de segregação total do espaço, sendo criado um espaço ciclável próprio – em Faixa ou em Pista. Esta tipologia é a única onde se verifica a construção do que convencionalmente se denomina “ciclovia”, constituída por espaço próprio ciclável.
(Saber mais sobre tipologias de percursos cicláveis)

Rede Ciclável de Lisboa 

Lisbon Cycle Network