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>06 . Conflitos nos percursos cicláveis I ir para página principal

 

1. Pontuações entre a rede ciclável e outras estruturas

2. Cruzamentos

2.1.. Cruzamentos Graves

2.2.. Cruzamentos Médios

2.3.  Cruzamentos Simples

2.4.  Resolução dos Cruzamentos

3. Passagens Desniveladas

3.1. Introdução

3.2. Passagens subterrâneas e aéreas – aspectos técnicos

3.3. Dimensionamento

3.4. Pavimentos e Drenagem

3.5. Visibilidade, Iluminação e Segurança

 

1. Pontuações entre a rede ciclável e outras estruturas

As pontuações marcam o encontro entre estruturas, neste caso a estrutura ciclável e outras com que esta se cruza. São nodos que podem significar conflitos ou potencialidades.

A resolução dos conflitos assim como a aferição das potencialidades surge associado a um processo de hierarquização. Este processo de hierarquização contribui para a legibilidade e coerência urbana.

 

2. Cruzamentos

Os cruzamentos são considerados “elementos cruciais no desenho de percursos cicláveis. Em primeiro lugar porque é aí que acontece a maior parte dos acidentes.(...) Em segundo lugar, os cruzamentos são determinantes para a comodidade e rapidez de um percurso ciclável...” (Ministério do Fomento Espanhol, 1999).

Para além da possibilidade da existência de acidentes nos cruzamentos, especialmente gravosa para os ciclistas, há o facto de estes significarem uma efectiva interrupção da marcha, pela criação de condições para a perda de energia cinética, requerendo um novo esforço para voltar a empreender a marcha.

 Os cruzamentos devem apresentar os seguintes requisitos: 

·         Permitir que automobilistas e ciclistas se vejam mutuamente de forma a criar condições para a prevenção de acidentes;

·         Compatibilizar as diferentes velocidades dos vários veículos (bicicletas e automóveis) na situação de cruzamento;

·         Criar condições para a redução dos tempos de espera aos ciclistas (e peões), permitindo aumentar a eficiência da viagem pela manutenção de uma velocidade constante e redução do esforço de pedalar para reposição da velocidade; 

Os cruzamentos podem ser classificados, em função da potencialidade de perigo para o ciclista, em Graves, Médios e Simples. Esta hierarquia não se sobrepõe obrigatoriamente com aspectos de importância tipológica, que vão determinar os aspectos do desenho das mesmas. 

O quadro seguinte mostra uma tabela de referência para a definição do tipo de cruzamento, em virtude do tipo de hierarquia do percurso ciclável e da velocidade de tráfego automóvel que circula na via com a qual se efectua o cruzamento: 

Velocidade dos veículos automóveis na via de cruzamento / Hierarquia do Percurso Ciclável

Percurso Ciclável de 1ª Ordem

Percurso Ciclável de 2ª Ordem

Percurso Ciclável de 3ª Ordem

v > 90 km/h

GRAVE

(Passagem Desnivelada)

GRAVE

(Passagem Desnivelada)

GRAVE

(Passagem Desnivelada)

50 km/h < v <90 km/h

GRAVE

(Passagem desnivelada. Em casos específicos aceita-se a semaforização)

GRAVE

(Passagem desnivelada ou semaforização)

GRAVE

(Semaforização)

30 km/h < v <50 km/h

GRAVE

(Semaforização. Em casos específicos aceita-se a sinalização)

MÉDIO

(Semaforização ou sinalização)

MÉDIO

(Sinalização)

v <30 km/h

MÉDIO

(Sinalização)

SIMPLES

(Sinalização ou marcações simples)

SIMPLES

(Marcações simples ou sem marcação)

Os factores fundamentais para a aferição do tipo de cruzamento referem-se à velocidade da via automóvel, por um lado, e à estimativa do tráfego ciclável, resultante da hierarquia da Rede Ciclável Municipal.

2.1. Cruzamentos Graves 

Os cruzamentos Graves envolvem perigo iminente para os ciclistas e sobre estes recai a necessidade de intervir de uma forma muito rigorosa no sentido de evitar completamente os acidentes. Acidentes nestes cruzamentos são de extrema gravidade para os ciclistas e podem comprometer o sucesso de todo um Percurso ou Rede Ciclável.

São denominados de cruzamentos Graves os que resultam do encontro entre vias de trânsito automóvel de média ou alta velocidade (superior a 30km/h) com percursos de hierarquia ciclável principal ou ainda com vias de trânsito automóvel com velocidade acima de 50km/h e percursos de hierarquia ciclável secundária ou terciária. 

São ainda considerados os cruzamentos com via de trânsito automóvel de qualquer

velocidade, sempre que se verifiquem condições de muito fraca visibilidade. 

 

2.2. Cruzamentos Médios 

São considerados cruzamentos Médios todos os que resultam do conflito entre vias de trânsito automóvel com velocidades baixas (< 30 km/h) e percursos cicláveis principais.

São ainda cruzamentos Médios os que saem do encontro entre vias de tráfego automóvel médio (30 km/h < v <50 km/h) e percursos de hierarquia secundária e terciária. 

2.3. Cruzamentos Simples 

São Simples os cruzamentos que resultam do encontro entre vias de tráfego automóvel de baixa velocidade e percursos cicláveis secundários ou terciários.

Os cruzamentos Simples não podem ser ignorados uma vez que, em parte das situações, exigem medidas simples de sinalização que, na sua ausência, podem criar condições de algum perigo para os ciclistas. Só em alguns casos se aceitam cruzamentos sem qualquer marcação.

Em cruzamentos simples, aplicam-se apenas as medidas consideradas fundamentais para garantir a segurança dos ciclistas. 

2.4. Resolução dos Cruzamentos

 

A resolução dos cruzamentos passa por:

 

·         Passagens desniveladas (superiores ou inferiores);

·         Cruzamentos semaforizados, sinalizados vertical e horizontalmente e aplicação de medidas de gestão de tráfego pelo design;

·         Cruzamentos sinalizados vertical e horizontalmente e aplicação de medidas de gestão de tráfego pelo design;

·         Sem marcação.

 

Na construção das passagens desniveladas (subterrâneas ou aéreas), deve-se considerar o tipo de obstáculo a que se refere. Devem-se respeitar as larguras e alturas definidas por lei, assim como requisitos de iluminação e drenagem (mais efectivos nos casos de passagens subterrâneas) e acautelar barreiras físicas que evitem quedas (nos casos de passagens aéreas).

Estas deverão obrigatoriamente ser utilizadas conjuntamente por peões e pessoas com mobilidade condicionada, respeitando o Dec. Lei 123/97.

Nos casos em que, apesar da gravidade do conflito seja possível, sem por em risco a segurança dos ciclistas, abordar a resolução do mesmo com o recurso à integração dos vários meios de transporte, aplicam-se igualmente várias medidas formais e funcionais de gestão de tráfego pelo design, com o recurso simultâneo a sinalização vertical e horizontal e ainda elementos de semaforização.

É possível, em casos de média gravidade ou mesmo em situações simples, efectuar-se a aplicação de algumas destas medidas.

Nos casos de uma via automóvel classificada na Rede Rodoviária, qualquer intervenção na mesma envolve uma prévia autorização do IEP (Instituto de Estradas de Portugal).

 

Os exemplos seguintes procuram mostrar sinteticamente formas teóricas de resolução dos conflitos em cruzamentos considerados graves:

 

 

O Quadro seguinte sintetiza a forma de resolução dos cruzamentos em função da sua gravidade:

 

GRAVIDADE DOS CRUZAMENTOS

OBJECTIVOS:

 

TIPO DE INTERVENÇÃO

 

 

SIMPLES

 

O cruzamento não oferece perigo para os ciclistas.  

Sem marcação ou com sinalização horizontal simples.

O cruzamento, desde que sinalizado e desde que estejam acauteladas as condições para a acalmia de tráfego, não oferece perigo para os ciclistas.  

 

Aplicação de medidas de gestão de tráfego pelo design. Sinalização Horizontal e Vertical.

MÉDIO

Pode haver sobreposição espacial entre bicicletas e o tráfego rodoviário, desde que acauteladas as condições de gestão de tráfego rodoviário que permitam uma leitura correcta por parte dos automobilistas do atravessamento ciclável.

Sinalização Vertical e Horizontal. Gestão de tráfego pelo design.

A sobreposição entre as bicicletas e o tráfego rodoviário pode acontecer mas desfasada temporalmente.

Gestão de tráfego para acalmia. Sinalização Vertical e Horizontal. Semaforização opcional.  

GRAVE

A sobreposição espacial entre as bicicletas e o tráfego rodoviário só se efectua desfasado temporalmente, de modo a garantir que não existe qualquer contacto.

Gestão de tráfego para acalmia. Semaforização obrigatória.

Garantir totalmente que não existe sobreposição espacial entre as bicicletas e o tráfego rodoviário.

Passagem desnivelada

3. Passagens Desniveladas  

3.1. Introdução     

As passagens desniveladas existem sobretudo para ultrapassar barreiras físicas tais como rios, auto-estradas, viadutos; linhas de comboio e outros obstáculos à circulação das bicicletas. Podem existir como estruturas individuais ou integradas noutras  estruturas como pontes em faixas bem delimitadas e protegidas do resto do trânsito, podendo também coexistir com o tráfego pedonal quando a largura do espaço o permitir. 

Na construção das passagens desniveladas, subterrâneas ou aéreas, e em ambos os casos, deve-se analisar a situação em função do tipo de barreira de que se trata, através de uma prévia hierarquização. A decisão de projectar uma passagem desnivelada e as características da mesma devem considerar o tipo de obstáculo a que se refere. Assim, deve-se dar maior prioridade à construção de passagens desniveladas para ciclistas em barreiras junto a áreas com elevado nível de utilizadores ou potenciais utilizadores em:   

    1. situações de passagens onde existe grande insegurança;

    2. onde existem grandes impedimentos (desníveis não apropriados) à circulação de bicicletas;

    3. ou barreiras que isolam comunidades. 

 

3.2. Passagens subterrâneas e aéreas – aspectos técnicos

          

 Foto: Passagem subterrânea: in “Passigato, Mauro; Ghiacci, Sílvia; Cozzi, Mauro: Piste Ciclabili, ed. II Sole 24 ORE, Milano 1999.

 

A construção das passagens subterrâneas e aéreas devem ter em consideração aspectos de segurança, que implicam com a circulação das bicicletas e com a frequência de utilização dos espaços.

Como exemplo, as entradas e saídas das passagens devem estar bem iluminadas, permitindo que o ciclista se oriente e seja visto pelos outros transeuntes. No entanto, a iluminação no interior nas passagens, sobretudo subterrâneas, não pode encadear o ciclistas e as superfícies devem ser anti-reflectoras para o mesmo não ocorrer.

3.3. Dimensionamento

As dimensões mínimas aconselhadas para as passagens subterrâneas e aéreas são de 4.20m de largura e 2.40m a 3m de altura (para permitir a passagem de veículos de manutenção, no caso das subterrâneas). Deve-se salvaguardar uma largura mínima de 3m de espaço ciclável, medida suficiente para a circulação de peões e bicicletas e eventuais paragens e ainda duas faixas de protecção de cada lado de 0.60m. (Implementing Bicycle Improvements at the local level in www.bicyclinginfo.org). 

As passagens aéreas devem ter nas faixas de protecção (0.60m) e de ambos os lados uma protecção adicional (grades, ou outro tipo de protecção que se pretende permeável visualmente) com altura mínima de 1.40m, para impedir que um ciclista galgue a barreira, em caso de acidente.

 

3.4. Pavimentos e Drenagem

Os pavimentos a ser utilizados nestas situações construtivas não podem ser reflectores, devem ser macios, e não escorregadios, mantendo esta última característica mesmo quando chove.

Não deve haver ressaltos entre mudanças de pavimentos quando existentes.

Além disso, devem ter todas as características dos pavimentos utilizados nos espaços cicláveis (já mencionado).

As passagens subterrâneas devem ter um sistema de drenagem eficiente, impedindo a acumulação de águas. Este sistema deve ser alvo de uma manutenção exigente e muito frequente.

 

3.5. Visibilidade, Iluminação e Segurança 

As passagens subterrâneas e aéreas devem ter, sempre que possível, iluminação natural.

Nas passagens subterrâneas e em situações de grandes comprimentos, aconselha-se que as entradas e saídas sejam mais abertas, em largura ou altura ou ainda que se proporcione aberturas na cobertura das passagens de forma a possibilitar a entrada de luz natural.

A iluminação nocturna deve ser eficiente e estratégica de forma a minimizar a insegurança e o risco de vandalismo.

As passagens aéreas podem e devem ser visíveis das áreas populacionais adjacentes, para permitir uma vigilância informal. A visibilidade do ciclista e do peão sobre as actividades envolventes deve ser sempre garantida, assim como o inverso deve também ocorrer.

As saídas das passagens desniveladas não se devem localizar em áreas de muito trânsito pedonal ou automóvel, entrando em conflito com ele.

Para reforçar a segurança das passagens subterrâneas e aéreas, pode ser necessário pensar-se em formas adicionais de vigilância, nomeadamente o controlo por câmaras de vídeo ou mesmo por policiamento, sobretudo nas áreas mais vulneráveis à insegurança ou nas alturas do dia mais propícias a actos anti-sociais.

 

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