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>01.c) Aptidão Ciclável I ir para página principal

1. O Declive como critério para o planeamento de uma rede ciclável:

A lógica interna de funcionamento de uma rede ciclável passa primeiramente pelo facto do seu declive ser adequado à circulação de bicicleta. Os declives mais frequentemente utilizados para circulação em bicicleta estão incluídos nas seguintes classes: 

i)           0-3% - terreno considerado plano, com aptidão completa para a circulação em bicicleta;

ii)          3%-5% - terreno pouco declivoso, considerado ainda satisfatório para circular de bicicleta até médias distâncias;

iii)        5%-8% - terreno medianamente declivoso, impróprio para circulação de bicicletas por norma. Pode funcionar como espaço ciclável de ligação em muito curtas distâncias (até 125m aproximadamente).

O Guia AASHTO dos Estados Unidos para as boas normas de planeamento e construção de redes cicláveis refere que:

·         troços com 5-6% são aceitáveis até 240m;

·         troços com 7% são aceitáveis até 120m;

·         troços com 8% são aceitáveis até 90m;

·         troços com 9% são aceitáveis até 60m;

·         10% são aceitáveis até 30m;

·         troços acima de 11% aceitam-se até a um máximo de 15m. 

O cumprimento dos requisitos de declive longitudinal é um aspecto necessário para a sua utilização por todas as classes etárias. Considera-se que até 5% de declive se aplica uma grande abrangência de utilizadores sendo que, no entanto, entre 3% e 5%, os percursos cicláveis não deverão apresentar distâncias demasiado extensas sem interrupções ou paragens, podendo esta classe de declives ser já considerada exigente para situações de comprimento extenso. A própria atractibilidade da rede está também, a par com outros aspectos, intimamente ligada com o declive longitudinal dos percursos.

Num processo de caracterização deverão ser adoptados os seguintes critérios de declive, integrando-os nos seguintes passos metodológicos:

i)            caracterização geral das classes de declive (0-3%;3-5%;5%-8%; >8%);

ii)           sobreposição da rede rodoviária e de caminhos existentes com as classes de declive acima referidas;

iii)         síntese da rede rodoviária e de caminhos existentes situados sobre as classes de declive de 0-3% e de 3%-5%;

iv)         análise do perfil longitudinal de cada um dos elementos da rede viária e de caminhos, caracterizados na análise anterior como >5%. A necessidade desta análise deve-se ao facto dos percursos situados sobre classes de declive superiores a 5% poderem apresentar declives longitudinais inferiores a esse valor, por se desenvolverem mais ou menos paralelamente às curvas de nível. Este último passo deverá ser, quanto possível, informatizado de forma a aliviar o processo. 

Caso a rede ciclável se desenvolva, por motivos de força maior, sobre largos troços de declive acentuado, sugere-se que:

·         se adicione uma largura de aproximadamente 0.50m ao espaço ciclável de forma a permitir que um ciclista possa desmontar e caminhar com a sua bicicleta pela mão e que outros ciclistas o possam ultrapassar;

·         o aviso dos ciclistas para a aproximação de declives acentuados, através de sinalização vertical e/ou horizontal;

·         aumentar a normal largura mínima normalmente utilizada para o espaço ciclável de forma a permitir a existência de elevadas velocidades (esperadas para quem desce);

 

2. A Aptidão Ciclável como planta técnica de base para o desenho de uma rede ciclável:

 

A Aptidão Ciclável representa a avaliação da rede rodoviária e de caminhos existentes ou em plano, no que respeita ao seu declive longitudinal, de modo a seleccionar todos os percursos que oferecem condições de declive para serem cicláveis

A utilização da rede rodoviária e de caminhos existentes, como ponto de partida para a elaboração do Plano da Rede Ciclável, constitui uma opção determinante na ancoragem do mesmo à realidade, e portanto, um factor forte na potenciação da sua implementação. 

De facto, os percursos existentes sintetizam uma enorme diversidade de factos, nomeadamente a divisão de propriedade, a inserção correcta na paisagem, o estabelecimento de ligações úteis, etc., pelo que a sua utilização significa um maior grau de viabilidade física e política, do que se se tivesse optado por uma rede maioritariamente nova. 

No entanto, a rede ciclável só fica completa pela inserção na rede viária e de caminhos existente cicláveis, novos percursos cicláveis. Esta reunião de elementos surge numa planta técnica  - Rede Ciclável Potencial – onde todas as informações contidas na Aptidão Ciclável são vertidas e sintetizadas com vista à criação de percursos contínuos.

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