Entre 8 e 18 de Maio decorreu o seminário "FUTURE FARMING: innovation in agriculture and how to put it into practice", organizado conjuntamente pela IAAS Bonn (Alemanha) e IAAS Wageningen (Holanda).
Os objectivos consistiam em: mostrar o que de novo se fazia nos países organizadores, nos participantes, além de tentar perspectivar tendências futuras.
O tempo foi distribuído em 5 partes: conferências, apresentações de cada país, discussões de temas, visitas e lazer.
As conferências incidiram sobre: agricultura biológica; agricultura e comércio mundial; novas tecnologias aplicadas à agricultura e como fazer para que os agricultores as apliquem; agricultura e ambiente; homeopatia veterinária.
Visitámos estufas de floricultura; uma quinta de agricultura biológica; os centros experimentais da Bayer e do ministério holandês da agricultura; vacarias; e uma quinta de fruticultura.
Para lazer, além das habituais festas, tivemos os passeios a Bona, Wageningen e Amesterdão.
As apresentações de cada delegação consistiram na mostra das características gerais do sector agrícola do seu país, exceptuando os casos português e jugoslavo que apresentaram avanços específicos para aplicar à agricultura - como foi pedido, aliás...
Eu tive ocasião de apresentar os sistemas de rega por gravidade desenvolvidos pelo D.E.R.; da Jugoslávia foram apresentadas novas cultivares de trigo desenvolvidas em Novi Sad.
Nas conferências onde a P.A.C. vinha à baila - com o problema dos subsídios, dos excedentes e do comércio -, verificou-se uma grande insensibilidade em relação aos problemas do Sul da Europa: pura e simplesmente não existiam! A realidade (virtual com certeza), era que os agricultores europeus "eram todos muito felizes com o sistema de subsídios ao leite e ao trigo"! Esta frase foi proferida pelo representante do Ministério da Agricultura alemão responsável pelos acordos internacionais... Ao contestar semelhante afirmação respondeu-me que Portugal "tinha bom vinho"... Isso todos sabemos mas, a teoria de que "o vinho dá de comer a 1 milhão de portugueses", é do tempo da outra senhora! Além disso defendeu que os "subsídios só deveriam ser atribuídos a regiões com terra de alta qualidade que garantisse boa produtividade, e com relevo favorável"! Ou seja, quem tem mais problemas para produzir recebe menos ou nada! Imaginem como ficaria Portugal com semelhante sistema: talvez só Ribatejo se safasse!
Em Wageningen, felizmente, tive a oportunidade de ouvir 2 professores mais lúcidos. Um alertou para o facto da cultura cultura de cada povo, bem como os condicionalismos ambientais em que vive, têm de ser tidos em conta quando se querem encontrar soluções para os seus problemas agrícolas concretos. Outro afirmou que Portugal se encontrava numa posição mais favorável do que a Holanda(!) porque se procura complementar a agricultura com outras actividades (turismo rural e artesanato), e se implementam os produtos tradicionais...
Deste seminário tirei as seguintes conclusões: o Norte da Europa não só não percebe o Sul como não quer perceber - tá-se pura e simplesmente nas tintas para nós (bem tenho de reconhecer que os suecos mostraram abertura para compreender); que o Sul deve-se unir para lutar pela sua agricultura - a delegação albanesa era a única que tinha problemas semelhantes para apresentar logo compreendia os nossos; que é muito importante que haja portugueses nestes seminários, e que estejam bem preparados para mostrar o que se passa (infelizmente tive de improvisar).
Assim queria terminar com dois apelos: um à IAAS Portugal, para
que se informe de todas as iniciativas que vão acontecendo lá
por fora, e que nos informe com antecedência suficiente; e aos alunos
do ISA para que participem o máximo possível nessas mesmas
actividades, onde é importante o nosso país estar representado.
PEDRO CARLOS